Roteiro no Cinema
No cinema o roteiro é a base do filme, a parte prima que nasce antes de toda a obra. De acordo com
Syd Field, um roteirista e consultor de
Hollywood, um bom roteiro apresenta três partes essenciais que precisam estar bem desenvolvidas:
personagem,
estrutura e
enredo, sendo este dividido da seguinte forma: Parte 1; seria esta a introdução do filme, delimitando os personagens e suas ações, aí vem o primeiro ponto de virada, onde se passa para a Parte 2; desenvolvimento do filme, a confrontação, que se divide (através do ponto central) em duas partes. Por último temos a Parte 3; define o filme, o desfecho da história, lembrando sempre que este se trata de um roteiro clássico, mas podem existir modificações, onde se pode trabalhar do final para o início, ou do meio para o fim e depois para o início, ou vice-versa, já que no cinema isso é totalmente possível.
Um roteiro de cinema pode ser definido como uma tentativa sistemática e ordenada para prever o futuro
filme. É uma previsão que na prática se concretiza em um manuscrito contendo a descrição, cena por cena, enquadramento por enquadramento e das soluções de todos os problemas técnicos e artísticos que se prevê para a realização do filme.
No
Brasil, o roteirista
Doc Comparato, que trabalhou na
Rede Globo, foi um dos pioneiros no ramo, e escreveu um livro "Roteiro" (mais tarde relançado como "Da Criação ao Roteiro") que é um manual de escrita para televisão, historicamente importante por ter sido o primeiro no Brasil.
Tipos de produção do roteiro
Há dois meios para um novo roteiro surgir: partindo da vontade de um roteirista de escrever um roteiro e vender sua obra para um
produtor cinematográfico ou um
estúdio de cinema que vá transformar aquilo em uma arte
audiovisual; ou partindo de um projeto de uma grande empresa cinematográfica, onde existem profissionais empregados especialmente para o cargo de roteiristas.
Nos
Estados Unidos, onde há uma série de roteiristas, existem organizações referentes à roteiristas. Como
Hollywood é conhecida como a capital do cinema, não é errônea a afirmação de que surgem diversos roteiristas por lá a cada ano.
Argumento
O argumento, geralmente, é a primeira coisa a ser desenvolvida por um roteirista. É a ideia trabalhada sobre a qual se desenvolverá uma sequência de atos e acontecimentos, que constituirão, futuramente, o roteiro.
O roteiro é o texto do filme, geralmente que se originou no argumento, mas adaptado com falas e cenas, para ser filmado. É basicamente a transcrição da história de uma forma que possa ser montada e encenada.
Um exemplo de transcrição de um argumento para um roteiro:
Alan vive triste e agora quer sua mulher novamente.
Alan entra na sala, com uma expressão triste. Dirige-se até o sofá. Conseguimos ver uma fotografia sobre o sofá. Alan agacha-se e pega a fotografia, trazendo sobre seu tórax. Depois olha a fotografia, enquanto chora. Vemos que a foto é de sua mulher.
O argumento é muitas vezes visto como a sinopse, mas não é. A sinopse de um espetáculo possui pouquissimas linhas (15 ou menos), enquanto alguns autores afirmam que, para cada página de argumento, corresponde a dez de um roteiro.
Softwares de roteiros
Os
softwares de roteiros são programas para microcomputadores.
Processadores de texto especialmente criados para a substituição da
máquina de escrever e facilitação do processo de escrita de um roteiro, esses softwares tornam-se cada vez mais populares entre usuários de computador.
Hoje em dia, é possível encontrar esses editores gratuitamente pela Internet, para diferentes sistemas operacionais. O software mais conhecido entre brasileiros e portugueses é o
Celtx, que possui inúmeras funções para roteiristas e pode ser encontrado em versões gratuitas.
Existem também disponibilizados gratuitamente templates para editores de texto conhecidos (como o
Microsoft Word), que ajudam na formatação de arquivos para atender aos padrões técnicos de um roteiro profissional
BIBLIOGRAFIA
BRUNI, Roman. Roteiro de Roteiro. Rio de Janeiro: 3a edição independente, 2005. 60 p.
CARRIÈRE, Jean-Claude. BONITZER, Pascal. Prática do Roteiro Cinematográfico. São Paulo: JSN, 1996. 144 p.
CHION, Michel. O Roteiro de Cinema. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 288 p.
COMPARATO, Doc. Roteiro. Rio de Janeiro: Nórdica, 1984. 264 p.
FIELD, Syd. Manual do Roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. 226 p.
FIELD, Syd. Os Exercícios do Roteirista. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. 180 p.
FIELD, Syd. Quatro Roteiros: uma Análise de Quatro Inovadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. 376 p.
GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Como se Conta um Conto. Niterói: Casa Jorge Editorial, 1995. 308 p.
GOSCIOLA, Vicente. Roteiro para as Novas Mídias. São Paulo: Senac, 2003. 271 p.
HILLIARD, Robert L.. Guionismo para radio, televisión y nuevos medios. Cidade do México: Thomson International, 1999. 466 p.
HOWARD, David. MABLEY, Edward. Teoria e Prática do Roteiro. São Paulo: Globo, 1999. 408 p.
MACIEL, Luiz Carlos. O Poder do Clímax - Fundamentos do Roteiro de Cinema e TV. Rio de Janeiro: Record, 2003. 138 p.
MEADOWS, Eliane. Roteiro para TV, Cinema e Vídeo em 10 Etapas: Arte e Técnica. Rio de Janeiro: Quartet, 2003. 116 p.
MOSS, Hugo. Como formatar o seu roteiro - um pequeno guia de Master Scenes. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002. 32 p.
NOGUEIRA, Lisandro. O Autor na Televisão. Goiânia: UFG/São Paulo: EdUSP, 2002. 147 p.
REY, Marcos. O Roteirista Profissional - Televisão e Cinema. São Paulo: Ática, 2001. 144 p.
SABOYA, Jackson. Manual do Autor-Roteirista. Rio de Janeiro: Record, 2001. 293 p.
SARAIVA, Leandro. CANNITO, Newton. Manual de Roteiro. São Paulo: Conrad, 2004. 232 p.
VOGLER, Christopher. A Jornada do Escritor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 446 p.
*Kate Arabe*